A demissão de Mano Menezes fez com que a partida contra o Once Caldas, nesta terça-feira, pela 1ª rodada da fase de grupos da Conmebol Sul-Americana, falasse sobre o futuro da temporada. Sob comando do interino Marcão, o objetivo era deixar um terreno saudável para o novo treinado — e foi cumprido. Mais do que vencer por 1 a 0, o duelo na Colômbia evidenciou os sinais positivos e negativos que precisarão ser potencializados e corrigidos respectivamente, pelo novo comandante.
A escalação de Marcão já mostrava que o objetivo não era jogar bonito, mas conseguir os três pontos. Vencer não significava só começar com o pé direito diante do Once Caldas, principal adversário do grupo — e fora de casa, que trazia uma carga de importância à partida. Repetindo a equipe “pós 13 minutos” de Mano Menezes, os erros e acertos deixados pelo antecessor seguiram visíveis, apontando o caminho a ser seguido.
De positivo, por exemplo, temos Germán Cano. Ele foi o autor do gol do Fluminense que abriu o placar contra o Once Caldas, a sua maior vítima na carreira. Agora são 12 gols contra os colombianos — ele também se tornou o maior artilheiro internacional da história do clube. Mais do que a bola na rede, foi bom vê-lo voltando a ser um ponto de perigo, algo que pouco aconteceu nos últimos jogos com Mano Menezes.
Além disso, o Fluminense, depois que se acostumou com a altitude de 2.160 metros acima do nível do mar e com o ritmo do jogo, conseguiu se fazer mais presente no ataque, algo que não acontecia antes. Apesar do sufoco em alguns momentos, o placar poderia ser maior. Neste caso, é preciso levar em consideração a fragilidade do adversário, mas seria injusto não dar méritos a Marcão.
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Once Caldas x Fluminense – Germán Cano — Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP
De problemas, o técnico interino não conseguiu resolver a deficiência séria que há no lado esquerdo da defesa. Explorada ao máximo contra o Fortaleza, a dupla Freytes e Renê mostrou a sua vulnerabilidade novamente diante do Once Caldas. Por sorte, o adversário colombiano é pior tecnicamente do que o brasileiro. Mas não impediu que eles fossem superados nas jogadas de perigo em Manizales.
Então, entramos no outro ponto: o jogo aéreo. Se não fosse por Fábio, o Once Caldas teria construído vantagem só em jogadas em cima do zagueiro argentino. Na maior falha delas, inclusive, Dayro Moreno quase empatou. Se antes ele se destacava pelos bons passes e saída de jogo, seu nível caiu visivelmente. Já Renê até ajudou no ataque, foi melhor que o companheiro, mas passou longe da consistência defensiva que notabilizou a sua carreira.
Para analisar a partida, também é importante ponderar que o Fluminense enfrentou a altitude. Claro, os 2.160 metros do Estádio Paloalto não causam tantos efeitos fisiológicos aos jogadores, mas ainda assim há diferença no tempo de bola e na respiração. Por isso, a demora em se organizar em campo é justificável.
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Once Caldas x Fluminense – Marcão — Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP
Porém, mesmo ponderando este fator, é preciso registrar que Lima ainda não conseguiu encontrar seu melhor futebol. Até o gol do Fluminense, achado no pior momento do Tricolor na partida, a criação era nula. Por vezes, Cano tinha que voltar para o meio-campo para buscar jogo. Houve um rombo enorme entre o meio-campo e o ataque. Como Lima tinha dificuldade para participar da construção, Hércules e Martinelli ficavam em minoria no meio.
Na volta para o segundo tempo, O Fluminense deixou de ser a equipe “do Mano” e passou a ser a “de Marcão” nas suas características. Assim como nos principais momentos em que o interino esteve à frente da equipe em anos anterior, voltamos a ver o Tricolor abrindo o placar, abaixando a linhas e jogando mais defensivamente. Porém, sem se abster de contra-atacar.
Nas trocas, Serna entrou no lugar de Canobbio, Lezcano veio na vaga de Lima, e depois Bernal entrou no lugar de Hércules. A estrutura seguiu a mesma, mas a renovação de pulmão ajudou a controlar a partida. No ataque, o Tricolor poderia ter ampliado com Everaldo, Serna e Lezcano, este que acertou a trave.
Porém, a fragilidade defensiva obrigou que Fábio precisasse fazer grandes intervenções — em duas jogadas originados pelo lado esquerdo, conforme citado. Se o Once Caldas tivesse mais qualidade, provavelmente teria conseguido o empate pela quantidade de espaço dado.
Mas como “se” não entra em campo, a vitória veio. E assim, Marcão cumpre com o seu objetivo. Mais uma vez.
Fonte: Ge